Meditação e motociclismo

A história da monja Coen.

Motociclismo e zen budismo. A princípio, podem parecer dois assuntos sem nenhuma ligação. Porém, para Cláudia Dias Baptista de Souza, mais conhecida como monja Coen Sensei, pilotar uma moto com maestria é o mesmo que meditar. Apesar da voz serena e da tranquilidade que passa em suas entrevistas, os seus 55 anos resguardam uma história rica em rock’n roll, aventuras e motociclismo.
No Brasil, Coen foi uma das primeiras mulheres a comprar uma motocicleta e a única monja de descendência não japonesa a assumir a Presidência da Federação das Seitas Budistas do país, por um ano. Hoje, mantém um templo zen-budista no Pacaembu, em São Paulo. “Quilômetro por quilômetro, instante por instante. A moto tem muito isso, você tem de estar inteiro, com atenção permanente. A moto é uma filosofia de vida. Se você não ouvir e sentir, cai”, descreveu ela, em entrevista publicada originalmente no blog do advogado e entusiasta da vida sobre duas rodas Giovanni Guida Júnior.

Aos 19 anos, Cláudia teve o primeiro contato com o motociclismo, quando aprendeu a pilotar em uma Ducati. Prima dos músicos Sérgio Dias e Arnaldo Baptista, do grupo de rock brasileiro Os Mutantes, ela coleciona histórias para contar. Trabalhou como jornalista, o que lhe possibilitou adquirir uma moto com maior cilindrada, foi iluminadora de palco e bancária, além de ter namorado um integrante da equipe que fazia a iluminação para os shows do Alice Cooper.

Monja Coen.

Monja Coen.

Durante sua vida sobre duas rodas, ela chegou viajar por diversos locais do país em sua motocicleta. Entre elas, destaca-se uma jornada ao Rio de Janeiro que fez no início da década de 1970. “Uma vez, eu tinha ido a Ipanema e, na volta, minha moto parou na estrada. Não conseguia dar partida. Um grupo de Hell’s Angels se aproximou e falei: “Pronto…”. Eles me olharam e disseram: “Escuta, você não estava na praia em Ipanema? Nós consertamos a moto para você, vamos lá, minha irmã”, contou.

Ainda em sua época hippie, ela chegou a ser presa em flagrante na cidade Estocolmo, capital sueca, por tentar entrar no país com LSD. “Para mim, tomar ácido era uma coisa de onde está Deus. Fomos para lá pois a gente achava que tinha muito suicídio na Suécia porque faltava espiritualidade”, explicou. Foi enquanto estava presa que a monja Coen começou a meditar. “Os Beatles meditavam, o pessoal do Yes, do Pink Floyd, grupos que eu achava muito bons, muito inteligentes. E eu me perguntava: se essas pessoas tão inteligentes fazem isso, o que é isso?”

O primeiro contato com o budismo foi em Berkeley, na Califórnia, no Zen Center of Los Angeles – ZCLA. Após se apaixonar pela doutrina, ela decidiu aprofundar os seus conhecimentos e, em 1983, foi ordenada monja. Nesse ano, mudou-se para o Japão, onde permaneceu por 12 anos, passando os primeiros oito no Convento Zen Budista de Nagoia, Aichi Senmon Nisodo e Tokubetsu Nisodo. O nome Coen foi dado por seu mestre e é inspirado em um poema. ‘Co’ quer dizer ‘só’ e ‘Em’ quer dizer ‘círculo’. Segundo ela, o nome budista deve expressar as características da pessoa.

“A moto é como a vida. É ela que diz a você quando mudar a marcha, você não escolhe. Tem de ficar em sintonia com ela. E essa é a sintonia que a gente tem de ter com a vida. Quando é que eu não posso acelerar? Quando é que devo ir mais devagar? Existe uma frase no budismo que diz assim: ‘Vá reto por uma estrada cheia de curvas’. As pessoas pensam que você vai entrar na curva e se matar, mas não é nada disso. Seja macio na curva, seja a curva quando ela aparece. E isso a moto ensina, a ser flexível”, ponderou.

Fonte: http://www.encontrodemotos.com.br

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